“Privatiza tudo” é uma trapaça que engana muitos (mas só beneficia alguns)

Reforma engana muitos

“Privatiza tudo” é uma trapaça que engana muitos (mas só beneficia alguns)

“Privatiza tudo” é uma expressão repetida à exaustão em alguns círculos para distorcer a visão das pessoas sobre o papel do Estado e dos serviços públicos.

O que essas pessoas não sabem é que espalhar a falsa ideia de que a privatização seria uma solução ideal para dar qualidade aos serviços públicos interessa apenas a setores mesquinhos e extremamente egoístas ligados às camadas mais ricas do país (e de fora).

A estratégia deles é forçar a repetição desse conceito para depois lucrar muito com isso. O uso do ódio como arma de mobilização é um elemento adicional porque cria um tipo de coesão no discurso (no caso, repleto de violência verbal).

A quem realmente interessa essa repetição?

A ideia de que a venda do patrimônio público para o capital privado é a solução para os problemas do país conta com o apoio decisivo de certos setores da sociedade que irão se beneficiar no processo:
– Velha mídia, que defende seus próprios interesses e de seus anunciantes;

– Milícias digitais da internet, também financiadas por quem pretende lucrar com essas negociações;
– Políticos extremistas, que utilizam discursos radicais e defendem as negociações para colher benesses no processo, embora finjam que são patriotas;

– Partidos conservadores tradicionais, cujos representantes são ligados aos setores beneficiados e, uma vez eleitos, assumem o papel de office-boys desses interesses.

Vejamos o exemplo do ministro da Economia, Paulo Guedes. Banqueiro, representante dos interesses das elites financeiras do país, empenha todo seu esforço para que o governo destine cada vez recursos para quem? Para o próprio sistema financeiro de onde veio, para o pagamento da tal dívida pública que nunca foi auditada, consome quase metade do orçamento federal e continua crescendo em um ciclo vicioso e interminável.
Para esse plano prosperar, eles precisam mascarar a realidade. Escondem o fato de as empresas estatais terem a nobre missão de democratizar acessos e serviços, e que elas foram criadas para atender todas as camadas da população em seus direitos mais básicos.

Essa informação faria com que as privatizações, em um país tão desigual quanto o Brasil, fossem vistas como de fato são: um gesto de absoluta falta de empatia pelas pessoas, especialmente das camadas mais pobres, que não têm condição de acessar serviços de saúde e educação se forem pagos, por exemplo.

Mentiras

Para essa estratégia de convencimento funcionar, é preciso mentir e enganar, já que 65% dos brasileiros são contra a venda das estatais e dos serviços públicos.

Mentem que a meta é o desenvolvimento do país, sendo que o único objetivo é o lucro.

Escondem que o prejuízo ficará para o povo, e que as privatizações vão ampliar a corrupção, gerar sonegação (que praticamente não existe no caso das estatais), destinar mais recursos públicos para o sistema financeiro, causar demissão em massa (com impactos diretos na economia) e criar monopólios ou oligopólios regionais.
A tática inclui estratégias de desmoralização das estatais e daqueles que acreditam que elas são essenciais para a construção de um Brasil melhor. Por isso, repetem outras expressões sem fundamento como “coisa de comunista”, “mamata” e “cabide de emprego”.

Vale contar todo tipo de mentira, seguindo os ensinamentos do ministro de propaganda de Hitler, Joseph Goebbels: “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”.

Diferentemente do que os radicais espalham, países desenvolvidos possuem muitas estatais.

Por isso, também escondem que nos Estados Unidos, por exemplo, existem mais de 35 mil empresas públicas, chamadas de public authorities, nos mais variados segmentos, como telecomunicações, água e esgoto, educação, saúde, energia, serviços sociais e transportes. Lá, assim como em diversos outros países desenvolvidos, vem ocorrendo um fenômeno de reestatização de serviços que perdem qualidade e ficaram mais caros nas mãos da iniciativa privada.

Assim como em outras áreas, esta é mais uma em que o governo vai na contramão dos países mais desenvolvidos. As privatizações trazem lucro aos poucos participantes, e muito prejuízo à população.

 

Fonte: Frente Baiana Pela Educação