A quem interessa o ódio contra os servidores públicos (quando os culpados são outros)?

A quem interessa o ódio contra os servidores públicos (quando os culpados são outros)?

A quem interessa o ódio contra os servidores públicos (quando os culpados são outros)?

Nossos direitos individuais e sociais estão listados na Constituição e, para que sejam garantidos pelo Estado e que as suas políticas públicas cheguem aos cidadãos é que existem os servidores públicos.

São profissionais aprovados em concursos difíceis e muito concorridos, têm seus vencimentos divulgados de forma pública e seguem uma série de normas para garantir que a população tenha uma vida mais digna, com bem-estar e acesso a serviços como saúde, educação e segurança (áreas responsáveis por 60% do funcionalismo do país).

Então, por que alguns governantes, políticos, empresários, militantes extremistas, milícias digitais e grande parte da velha mídia insistem em estimular o ódio contra os servidores públicos, que trabalham pelo bem coletivo e pelos direitos da população?

 

As pessoas sentem a importância do serviço público

Cerca de 80% dos brasileiros dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS) para receber tratamento. Se não fosse o atendimento em hospitais públicos e unidades de saúde, a catástrofe da pandemia de Covid-19 seria ainda mais dramática em nosso país.

Mais de 85% dos alunos no ensino fundamental e médio estão nas escolas públicas. Mais de 90% da ciência brasileira é produzida nas universidades públicas, que lideram também todos os rankings de qualidade no ensino superior do Brasil e da América Latina.

Além disso, a abrangência dos serviços públicos vai muito além, e garante que o Estado possa desenvolver a proteção ao meio ambiente, assistência social, cultura, lazer, urbanismo, gestão ambiental, abastecimento, desenvolvimento agrário, habitação, infraestrutura, previdência social, geração de emprego e renda, saneamento, transporte e inúmeras outras ações.

E há também inúmeros exemplos que deixam evidente a importância da estabilidade e de boas condições de trabalho para os servidores públicos como, por exemplo, na produção de vacinas e na realização de campanhas permanentes de imunização, e também no combate à corrupção, como todo o país viu na denúncia sobre um esquema para compra superfaturada de vacinas de um laboratório indiano, feita por um servidor do Ministério da Saúde que, mesmo ameaçado e perseguido, não pôde ser demitido (como queria o governo Bolsonaro).

Pesquisas de cunho social e denúncias de má gestão, desvios de recursos e crimes no poder público nunca seriam feitas por funcionários sem estabilidade.

Mas ainda assim há setores oportunistas que espalham mentiras nos meios de comunicação, nas redes sociais e na internet para que a população acredite que os funcionários públicos são um peso para o país e os responsáveis por todos males e problemas dos governos. Por que eles fazem isso?

 

Estado mínimo para quem?

Como mostramos acima, toda a sociedade é beneficiada pela atuação dos servidores, até as pessoas mais ricas que acham que não precisam dos serviços públicos.

Isso também derruba o argumento daqueles que defendem a ideia de que só podem ter acesso a direitos aqueles que puderem pagar por eles, que é a visão de alguns grupos políticos, como o que atualmente comanda o país.

Por trás de mentiras sobre “responsabilidade” com gastos, estão as intenções de pessoas como o ministro da Economia, Paulo Guedes, que defende o “Estado Mínimo”, que nada mais é do que a transferência do maior número possível de empresas e serviços públicos para empresários, que os organizariam de acordo com a “mão invisível do Mercado”.

Inclusive, eles têm uma estratégia para isso: cortando gastos e investimentos, os serviços públicos vão se tornando cada vez mais precários e insuficientes. E aí eles estimulam o discurso de ódio contra os servidores.

Ao jogar toda a culpa sobre eles, esses setores desviam o foco dos verdadeiros problemas do país, que são as escolhas que políticos fazem para beneficiar mais as camadas já privilegiadas, como o sistema financeiro, que vai ficar com mais da metade do orçamento federal de 2021 (mais de R$ 2,2 trilhões) e grandes empresários e o agronegócio, que recebem mais de R$ 300 bilhões anualmente como benefícios fiscais.

Portanto, jogar a população contra os servidores nada mais é do que uma estratégia para facilitar o processo de privatização do patrimônio e dos serviços estatais, o que liberaria fatias cada vez maiores do orçamento público para a gula dos empresários e seus políticos de estimação.

Afinal, os setores que se beneficiam da diminuição do Estado são, justamente, os que patrocinam e financiam aqueles que disseminam ódio contra os servidores. Bancos e grandes empresas são os principais anunciantes em veículos da velha mídia. Empresários bancam campanhas de políticos que, depois de eleitos, trabalham para eles, e não para a população. Fora aqueles que recebem volumosas propinas para votar em projetos encomendados, e as milícias digitais, também patrocinadas por todos esses setores.

O que eles querem é ampliar as oportunidades de negócios para oferecer à população os serviços (que eram públicos) por preços mais altos – geralmente com pior qualidade e sem nenhum controle social.

Por isso, antes de odiar os servidores públicos por algum problema que, provavelmente, não é culpa deles, pergunte-se: você gostaria que os nossos direitos fossem só para quem pode pagar?

 

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